quarta-feira, 23 de março de 2011

O governo de si e dos outros & A coragem da verdade (O governo de si e dos outros II)



[Este curso de Michel Foucault, ministrado em 1983 no Collège de France, é particularmente interessante porque os temas abordados não foram publicados em nenhum estudo durante sua vida. Qual governo de si deve ser o fundamento e o limite ao governo dos outros? A partir desta questão, Foucault se situa em relação à herança filosófica e problematiza o status da sua própria fala.Tradução de Eduardo Brandão]





Após lançar
no ano passado
a versão traduzida para o português do curso O governo de si e dos outros (1982-1983) de Michel Foucault, recebi a confirmação da Editora WMF Martins Fontes que a continuação deste curso, A coragem da verdade (O governo de si e dos outros II) (1983-1984), será publicada no Brasil no segundo semestre de 2011.

Veja os cursos que Michel Foucault ministrou no Collège de France já traduzidos e publicados no Brasil e aqueles que ainda estão por ser traduzidos:

  • La volonte de savoir (1970-1971)
  • Theories et institutions penales (1971-1972)
  • La societe punitive (1972-1973)
  • Le pouvoir psychiatrique (1973-1974) - O poder psiquiátrico
  • Les anormaux (1974-1975) - Os anormais
  • "Il faut defendre la societe" (1975-1976) - Em defesa da sociedade
  • Securite, territoire, population (1977-1978) - Segurança, território, população
  • Naissance de la biopolitique (1978-1979) - Nascimento da biopolítica
  • Du gouvernment des vivants (1979-1980)
  • Subjectivite et verite (1980-1981)
  • L'hermeneutique du sujet (1981-1982) - A hermenêutica do sujeito
  • Le gouvernment de soi et des autres (1982-1983) - O governo de si e dos outros
  • Le gouvernment de soi et des autre: le courage de la verite (1983-1984) - A coragem da verdade (O governo de si e dos outros II)


Visite a página de Michel Foucault no Collège de France: http://goo.gl/nj9b2


segunda-feira, 21 de março de 2011

Tutorial para inscrição e uso do blog do CEF

Olá,

Segue para download o "Tutorial para inscrição e uso do blog do CEF". Leia e em caso de dúvidas, entre em contato comigo.

Os convites serão enviados em breve para o e-mail (o mesmo que foi inscrito na lista) particular de cada membro do CEF.

Abraços.

- Tutorial para inscrição e uso do blog do CEF [download]


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"Pertencemos a certos dispositivos e neles agimos. A novidade de um dispositivo em relação aos anteriores é o que chamamos sua atualidade, nossa atualidade. O novo é o atual. O atual não é o que somos, mas aquilo em que vamos nos tornando, o que chegamos a ser, quer dizer, o outro, nossa diferente evolução. É necessário distinguir, em todo o dispositivo, o que somos (o que não seremos mais), e aquilo que somos em devir: a parte da história e a parte do atual. A história é o arquivo, é a configuração do que somos e deixamos de ser, enquanto o atual é o esboço daquilo em que vamos nos tornando. Sendo que a história e o arquivo são o que nos separa ainda de nós próprios, e o atual é esse outro com o qual já coincidimos."

(O que é um dispositivo?, Gilles Deleuze, 1990)

sexta-feira, 18 de março de 2011

Ciclo de Estudos Foucaultianos [CEF - UFMA]: Foucault

O mundo meu é pequeno, Senhor.
Tem um rio e um pouco de árvores.
Nossa casa foi feita de costas para o rio.
Formigas recortam roseiras da avó.
Nos fundos do quintal há um menino e suas latas
maravilhosas.
Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas
com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os
besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter
os ocasos.

(Manoel de Barros)

terça-feira, 15 de março de 2011

SERÁ ALPHONSUS DE GUIMARAENS UM ANTECESSOR FOUCAULTIANO?

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,

Pôs-se na torre a sonhar...

Viu uma lua no céu,

Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,

Banhou-se toda em luar...

Queria subir ao céu,

Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,

Na torre pôs-se a cantar...

Estava perto do céu,

Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu

As asas para voar...

Queria a lua do céu,

queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu

Ruflaram de par em par...

Sua alma subiu ao céu,

Seu corpo desceu ao mar...


A Catedral

Entre brumas ao longe surge a aurora,

O hialino orvalho aos poucos se evapora,

Agoniza o arrebol.

A catedral eburnea do meu sonho

Aparece na paz do ceu risonho

Toda branca de sol.

E o sino canta em lugebres responsos:

"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

O astro glorioso segue a eterna estrada.

Uma aurea seta lhe cintila em cada

Refulgente raio de luz

A catedral eburnea do meu sonho,

Onde os meus olhos tao cansados ponho,

Recebe a bencao de Jesus.

E o sino clama em lugebres responsos:

"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!

" Por entre lirios e lilases desce

A tarde esquiva: amargurada prece

Poe-se a luz a rezar.

A catedral eburnea do meu sonho

Aparece na paz do ceu tristonho

Toda branca de luar.

E o sino chora em lugebres responsos:

"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

O ceu e todo trevas: o vento uiva.

Do relampago a cabeleira ruiva

Vem acoitar o rosto meu.

A catedral eburnea do meu sonho

Afunda-se no caos do ceu medonho

Como um astro que ja morreu.

E o sino chora em lugebres responsos:

"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus! "


Hão de Chorar por Ela os Cinamomos...

Hão de chorar por ela os cinamomos,

Murchando as flores ao tombar do dia.

Dos laranjais hão de cair os pomos,

Lembrando-se daquela que os colhia.

As estrelas dirão — "Ai! nada somos,

Pois ela se morreu silente e fria.. .

" E pondo os olhos nela como pomos,

Hão de chorar a irmã que lhes sorria.

A lua, que lhe foi mãe carinhosa,

Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la

Entre lírios e pétalas de rosa.

Os meus sonhos de amor serão defuntos...

E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,

Pensando em mim: — "Por que não vieram juntos?"


Cantem outros a clara cor virente

Cantem outros a clar

a cor virente

Do bosque em flor e a luz do dia eterno...

Envoltos nos clarões fulvos do oriente,

Cantem a primavera: eu canto o inverno.

Para muitos o imoto céu clemente

É um manto de carinho suave e terno:

Cantam a vida, e nenhum deles sente

Que decantando vai o próprio inferno.

Cantem esta mansão, onde entre prantos

Cada um espera o sepulcral punhado

De úmido pó que há de abafar-lhe os cantos...

Cada um de nós é a bússola sem norte.

Sempre o presente pior do que o passado.

Cantem outros a vida: eu canto a morte...


Alphonsus de Guimaraens

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SERÁ ALPHONSUS DE GUIMARAENS UM ANTECESSOR FOUCAULTIANO?


The Cover is from a photograph taken by Elie Kagan on the 17th of January, 1972. Foucault is answering questions posed by journalists in front of the Ministry of Justice (Place Vendôme, Paris). It takes place during an intervention of the GIP (Groupe d'information sur les prisons).



A cobertura é de uma fotografia tomadas por Elie Kagan sobre a 17ª de Janeiro, 1972. Foucault vai responder a perguntas colocadas pelos jornalistas em frente do Ministério da Justiça (Place Vendôme, Paris). Isso ocorre durante uma intervenção da IPTF (Grupo de informações sobre as prisões). [Tradução livre]





"Fonds Elie Kagan/BDIC-MHC".

Site: http//rauli.dk/index.php/foucault-studies/index

4º Seminário Brasileiro de Estudos Culturais e Educação & 1º Seminário Internacional de Estudos Culturais e Educação

O Ciclo de Estudos Foucaultianos teve trabalho aprovado no 4º Seminário Brasileiro de Estudos Culturais e Educação & 1º Seminário Internacional de Estudos Culturais e Educação que ocorrerá na ULBRA em Canoas (RS) de 23 a 25 de maio de 2011.

Segue abaixo o resumo do trabalho escrito pela Prof.ª Dr.ª Maria de Fátima da Costa Gonçalves

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Políticas públicas ou polícia armada para combater a violência em meio escolar? ressignificando algumas questões

O Estado Neoliberal e suas políticas excludentes capazes de produzirem aquilo que Bourdieu (1993) chamou de sofrimento social que vai além da exclusão porque transforma os sujeitos sociais em espectros diante da força do capital e da trajetória cada vez mais insistentes desses sujeitos para a marginalização, para o submundo e para a sub-humanidade. É o Estado Neoliberal abrindo as portas para os grupos sociais do Estado Penal (Wacquant, 2001), cujo dispositivo é a “tolerância zero”, ou seja, a completa marginalidade ressignificada.

É a partir desse pressuposto que apresentamos três questões para pensar a tensão entre as políticas públicas e a presença ostensiva da política enquanto aparato repressivo do poder.

O primeiro eixo está assentado na questão da violência que emerge das relações de poder próprias de quaisquer instituições e não poderia se diferente na instituição escolar. Há no seu cotidiano, circulando e circulante, micropodores que dominam os sujeitos, impedindo a construção de suas subjetividades. Esse é um ponto e que necessariamente não precisa da polícia. Requer o ato de nomeação do gestor, o diário de classe, a avaliação, o livro de ocorrência.

O segundo eixo sedimenta-se no Estado que concebe os indivíduos como uma população homogênea — a biopolítica foucaultiana — aplicando-lhes dispositivos repressivos, agenciadores, cujas políticas públicas são unívocas dirigidas às instituições de sequestro como ele costuma chamar, tornando essas populações alvo de políticas públicas que as exclui da participação da vida social. Acabam esses indivíduos por se tornarem um só corpo e uma só cabeça. Quando alguns deles rompem essas medidas e é hora de outro tipo de dispositivo, um dispositivo que não tenta homogeneizar nem tratá-los como população, mas como anormais (FOUCAULT, 2002), criminosos natos – o aparato repressivo da polícia dá lugar ao manicômio.

O terceiro eixo é que a própria instituição escolar entende esses alunos como uma população — indivíduos sem nomes nem história — como se lá na escola e fora dali fossem alunos sempre. Não levam em conta que em cada lugar eles tem um papel social marcado — na família, no grupo que frequentam, na igreja, no rap, no trabalho, na deliquencia, nas letras dos muros que escrevem poesias, fazem arte de vanguarda. Tem horror ao Outro.

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Veja a página do evento aqui:

[clique na imagem]

sexta-feira, 11 de março de 2011

Reencontrando Foucault

Queridos foucaultianos,

Paz e Bem.

Consta num site esta reflexão:

Um pensador que nunca se deixa capturar por classificações...

Dizia ele: "Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo". Um pensador engajado em um trabalho crítico de seu presente, de si mesmo, buscando, por meio da genealogia e da arqueologia, as rupturas e descontinuidades que engendram as imagens que temos de nós mesmos/as, dos/as outros/as e do mundo. Eis Foucault...

Vamos, se Deus permitir, reinicirar, os trabalhos, com uma REUNIÃO SOBRE AS ATIVIDADES DO 1º SEMESTRE/2011, no dia 17/03/2011, às 8h30min, sala de aula 2 - MESTRADO EM EDUCAÇÃO.

Consta da pauta:

1) Análise dos SEMINÁRIOS AVANÇADOS DE ESTUDOS EM FOUCAULT;
2) Formas de trabalhar com os capítulos anunciados;
3) Escolha de trabalhos alternativos para anteparar os capítulos: literatura e filmes
4) Escolha dos 4 primeiros responsáveis pelos seminários
5) Como trabalhar usando a metodologia das hipóteses;
6) Organização de participação em eventos e de um evento para o semestre;
7) Outros

NÃO FALTEM, POR FAVOR! AQUI A AUSÊNCIA NÃO É CENSURA, É VAZIO!

Um abraço,
Fátima G.

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Por favor, providenciem esses dois materiais para reunião do dia 17/03/2011.

  • Regimento Interno do Ciclo de Estudos Foucaultianos [download]
  • Seminários de Estudos Avançados I - 2010/2011 [download]