sexta-feira, 29 de abril de 2011

Filosofía y arquitectura: Michel Foucault II

Segue uma indicação de leitura da Fátima G.

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Acá reproduzco una presentación de Foucault sobre arquitectura que preparó la gente de Punto de Vista, y a continuación la conferencia "De los espacios otros", en que introduce su concepto de "heterotopía".

Provecho.

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BazarAmericano Arquitectura

Textos y debates de historia y crítica de la arquitectura, la ciudad y el territorio

Editores de BazarAmericano Arquitectura:

Tadeo Lima y Pablo Blitstein, que reciben sugerencias, críticas y propuestas en: info@bazaramericano.com

Filosofía y arquitectura: Michel Foucault II

-“De los espacios otros” (conferencia de 1967)

-“Espacio, saber y poder” (entrevista de Paul Rabinow, 1984)



[download do texto na íntegra - em espanhol]

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O poder ubuesco do perito psiquiatra (Os anormais, Michel Foucault, 1975)

Médico orienta promotora do Distrito Federal a fingir loucura


27/04/2011

BRASÍLIA - Documentos e imagens obtidos pelo Estado revelam como a promotora de Justiça Deborah Guerner, presa desde a semana passada em Brasília, contou com a colaboração de médicos de São Paulo para simular doença mental e atrapalhar as investigações sobre seu envolvimento com o esquema de corrupção no Distrito Federal, conhecido como "mensalão do DEM".

Gravações de encontros dela com o psiquiatra paulista Luis Altenfelder Silva Filho, captadas pelo circuito interno da casa da promotora e apreendidas com autorização da Justiça, mostram detalhes da armação para que ela fosse considerada doente por peritos judiciais. Deborah foi afastada em dezembro de suas funções no MP do DF. Além das ações na Justiça, ela responde a um processo disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que pode aprovar sua demissão do serviço público. Ela ainda recebe salário.

"Posso falar eufórica?", pergunta Deborah durante uma "aula" cujo objetivo era treiná-la para ser reprovada num teste de sanidade mental. "Pode. Muito excitada, eufórica e com o pavio muito curto", responde o médico. "Não tem erro, e qualquer residente de primeiro ano de psiquiatria, ouvindo você, vai falar assim: ‘essa menina é bipolar’", diz o psiquiatra. O marido dela, o empresário Jorge Guerner, que também está preso, acompanhava tudo. As "lições" foram dadas na sala da casa de Deborah em Brasília e ganharam o apelido de "teatro da loucura" nos bastidores da investigação.

Leandro Colon e Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo


Em: http://www.jornalpequeno.com.br/2011/4/27/medico-orienta-promotora-do-distrito-federal-a-fingir-loucura-153625.htm

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Ubuesco

O termo ubuesco se refere à obra de Alfred Jarry — Ubu Roi. O termo significa assim, alguém de caráter absurdo e caricatural (ANORMAIS, nota 20). Foucault o utiliza para falar do poder. O poder ubuesco: “maximixação dos efeitos de poder a partir da desqualificação daquele que os produz”. O grotesco é um dos procedimentos essenciais da soberania arbitrária.. O grotesco é também um procedimento inerente à burocracia aplicada. Ubu roi é uma paródia de Macbeth. O poder em Shakespeare aparece em seu aspecto trágico, em Ubu Roi, no entanto, mostra seu lado ridículo e grotesco.

Links para um rizoma I

Links para um rizoma I

Se a poesia
não vingou,
leia o poeta
e rime
com o leitor.

Ramon Alcântara

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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Vamos dialogar neste espaço ou haverá agora , ÁGORA mais profícua....

Meus queridos,

Este espaço é um dos poucos onde o juízo foi deletado. Portanto, abramos nossa alma e cérebremos e comecemos agora nesta ÀGORA um fórum onde todos podemos dizer sem assujeitamentos, de forma que não fique eu, Ramon, Jhonathan e Zezé, tomando conta do pedaço. Não dançamos Hip Hop, infelizmente, nem frequentamos o Collège de France, felizmente, por breve iremos. Então, que vós falta, para se libertar do autoassujeitamento! Liberdade agora na Ágora, companheiros!

Fátima G.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

HISTÓRIA DA LOUCURA E ESTAMIRA OU ESTAMIRA E HISTÓRIA DA LOUCURA... primeiros passos

HISTÓRIA DA LOUCURA E ESTAMIRA OU ESTAMIRA E HISTÓRIA DA LOUCURA... primeiros passos

Fátima G.

PRÓLOGO

Para este libro ya viejo debería yo escribir un nuevo prólogo. Mas confieso que la
idea me desagrada, pues, por más que yo hiciera, no dejaría de querer
justificarlo por lo que era y de reinscribirlo, hasta donde pudiera, en lo que
acontece hoy. Posible o no, hábil o no, eso no sería honrado. Sobre todo, no
sería conforme a como, en relación a un libro, debe ser la reserva de quien lo ha
escrito. Se produce un libro: acontecimiento minúsculo, pequeño objeto
manuable. Desde entonces, es arrastrado a un incesante juego de repeticiones;
sus "dobles", a su alrededor y muy lejos de él, se ponen a pulular; cada lectura
le da, por un instante, un cuerpo impalpable y único; circulan fragmentos de él
mismo que se hacen pasar por él, que, según se cree, lo contienen casi por
entero y en los cuales finalmente, le ocurre que encuentra refugio; los
comentarios lo desdoblan, otros discursos donde finalmente debe aparecer él
mismo, confesar lo que se había negado a decir, librarse de lo que
ostentosamente simulaba ser. La reedición en otro momento, en otro lugar es
también uno de tales dobles: ni completa simulación ni completa identidad.

( FOUCAULT, Historia de la locura en la época
clásica,1998)

Companheiros foucaultianos,

Paz e Bem.

A História da Loucura, parte I, marca os eixos dos comentários que se desdobram, outros discursos onde ele vai aparecer mesmo, liberando do que fingia ser, nos diz a última parte dessa citação feita. Assim pois, analisemos com bastante cuidado o discurso de "Estamira", o filme que estamos assistindo em parte e essa colocação de Foucault acima.

Adiante desenvolverei essa colocação com algumas falas de Estamira. Logo, logo, assim que me despir do que ostensivamente ainda estou enquanto platéia do filme. Enquanto platéia, o sujeito se assujeita a quem discursa, por isso preciso desse tempo.

Fátima G.

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RESENHA CRÍTICA DO FILME "ESTAMIRA" [download]

FILME "ESTAMIRA" [download]

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A Vontade de Incluir

A VONTADE DE INCLUIR
“REGIME DE VERDADE“, RECOMPOSIÇÃO DAS PRÁTICAS E ESTRATÉGIAS DE APROPRIAÇÃO A PARTIR DE UM DISPOSITIVO DE INCLUSÃO ESCOLAR EMFORTALEZA (BRASIL)

Rémi Fernand Lavergne
http://lattes.cnpq.br/4008831505629386

Resumo
Os docentes de uma escola pública de Fortaleza acompanhados em suas atividades pedagógicas por um grupo de pesquisa universitária, tentam colocar em prática o princípio de inclusão escolar generalizada a todas as crianças em dificuldade ou com deficiência, tal como é garantido pelo quadro legislativo brasileiro encarregado da execução da nova política escolar enunciada em 1988 pela última Constituição Federal deste país. Em um primeiro tempo, através duma rápida história da escola pública e da educação especial no Brasil, assim como de uma cuidadosa revisão de literatura sobre a inclusão, trata-se de evidenciar o pano de fundo sociopolítico sobre o qual se destaca essa ação de formação continua numa perspectiva inclusiva. Em um segundo tempo, apoiando-se sobre as obras de Michel Foucault e, complementarmente, sobre as reflexões de certos sociólogos (Weber, Bourdieu, ect.), uma etnografia desse acompanhamento pedagógico durante mais de dois anos, vai mostrar o quanto uma ação de formação com vista inclusiva constitui uma estratégia política e, portanto, não escapa às relações de dominação que se encontra em qualquer outro tipo de formação, inclusive de tipo “tradicional“ e que parece, de repente, condenável. Em um terceiro tempo, trata-se de mostrar como certos “regimes de verdade“, certas técnicas disciplinares e “tecnologias do eu“, que atravessam essa formação contínua, contribuam para a produção de uma multiplicidade de saberes e de efeitos de subjetivação que vão permitir a emergência de sujeitos particulares que se definem em função do que eles retiraram dessa experiência ou em função do posicionamento que adotaram nela .

Palavras chaves: inclusão, relações de poder-saber, formação contínua, escola pública, subjetivação.

LA VOLONTÉ D’INCLURE
“RÉGIME DE VÉRITÉ“, RECOMPOSITION DES PRATIQUES ET STRATÉGIES D’APPROPRIATION DANS UN DISPOSITIF D’INCLUSION SCOLAIRE À FORTALEZA (BRÉSIL)

Résumé
Les enseignants d’une école publique de Fortaleza (Nordeste du Brésil),accompagnés en cela par un groupe de recherche universitaire, tentent de mettre en acte le principe de l’inclusion scolaire généralisée à tous les enfants en difficulté ou en situation de handicap, tel qu’il est garanti par le cadre législatif brésilien en charge de la mise en oeuvre de la nouvelle politique scolaire énoncée en 1988 par la dernière Constitution Fédérale de ce pays. Dans un premier temps, à travers une rapide histoire de l’école publique et de l’éducation spécialisée au Brésil, ainsi que d’une révision de littérature détaillée sur l’inclusion, il s’agit de mettre en évidence la toile de fond sur laquelle se détache cette action de formation continue dans une perspective inclusive. Dans un second temps, en s’appuyant sur l’oeuvre de Michel Foucault et, complémentairement, sur les réflexions de certains sociologues (Weber, Bourdieu, etc.), une ethnographie de cet accompagnement pédagogique, durant plus de deux ans, va montrer combien une action de formation à visée inclusive constitue une stratégie politique et, par conséquent, n’échappe pas aux relations de domination qui se rencontre dans quelque type de formation que ce soit, y compris de type “traditionnel“ qui paraît, soudain, condamnable. Dans un troisième temps, il s’agit de montrer comment certains “régimes de vérité“, certaines techniquesdisciplinaires et “technologies de soi“, qui traversent cette formation continue, contribuent à la production d’une multiplicité de savoirs et d’effets de subjectivation qui vont permettre l’émergence de sujets particuliers, qui se définissent en fonction de ce qu’ils ont retiré de cette expérience et en fonction du positionnement qu’ils ont adopté vis-à-vis d’elle.

Mots-clés: inclusion, relations de pouvoir-savoir, formation continue, école publique, subjectivation.

Faça o Download clicando AQUI.

El Marketing de la Locura - Vendiendo la Enfermedad

Esse vídeo atualiza a discussão que tivemos a partir da Aula 01 d'Os Anormais acerca da psiquiatrização do social. Nos moldes contemporâneos a Loucura é inventada de acordo com a demanda das grandes indústrias farmacêuticas. O profissional do marketing é convocado pela psiquiatria-capitalista para, através do discurso propagandista, fazer emergir a trama saber-verdade-poder-subjetivação acerca da loucura-mercadoria.


sábado, 9 de abril de 2011

O MASSACRE EM REALENGO! O RETRATO DO BRASIL...

CICLO DE ESTUDOS FOUCAULTIANOS
PROJETO: CARTOGRAFIA SIMBÓLICA DA VIOLÊNCIA EM AMBIENTE ESCOLAR — para além dos conceitos
COORDENAÇÃO: Profª. Drª. Maria de Fátima da Costa Gonçalves

O MASSACRE EM REALENGO! O RETRATO DO BRASIL...

Ilha de São Luís do Maranhão, 08 de abril de 2011.
Fátima G.

Hoje amanheceu o dia ensolarado. O cotidiano da ilha parecia o mesmo. Em mim havia alguma coisa a menos. No primeiro instante do ato de acordar senti que gostaria de continuar deitada. Por quê? Afinal tudo parecia no seu devido lugar ou pelo menos, todo lugar parecia devido. Sentia, entretanto uma sensação de vazio, de dor.

De repente, vi no calendário do telefone que marcava 08, 08 de abril. Finalmente sabia que a sensação não vinha do cérebro acostumado com as agendas acadêmicas, vinha do coração partido do dia anterior — 07 de abril de 2011 — data sinônimo de uma tatuagem na minha alma cravada pela dor do MASSACRE DO REALENGO no Rio de Janeiro. Não ouso chamar de tragédia, uma vez que a tragédia nasce na Grécia — ηραγωδία — com o sentido de algo que nunca poderá ser mudado, por mais que dele se corra: um destino implacável. O que aconteceu em Realengo não é ηραγωδία, é, como dizem os gregos, Περιθρόνηζη — é descaso. Voltaremos a isso mais adiante.

Não preciso descrever os fatos, o grande écran(1), já o fez — rádio, telejornais, programas especiais, depoimentos, cenas cortantes — convenceram que não foi um pesadelo o que vivemos ontem. Foi fato, foi real. Foi o que já vem acontecendo aqui e ali, com a diferença que ontem de uma vez só atingiu vários meninos e meninas de sonhos partidos levando parte também dos nossos.

Um massacre provocado por um ex-aluno da escola de Realengo. Instigou-me que nos depoimentos de algumas pessoas, ele tinha um comportamento “normal” — era isolado, falava pouco, vivia só, às vezes sumia! — “normal”?

Vou precisar de algum tempo para buscar nas leituras foucaultianas esse eixo de “normalidade” que parte da população apontou para o jovem suicida e, se me permitem, fratricida, sim, porque, no fundo estou sempre envolvendo a relação do Outro, a relação de solidariedade, a relação não com a regra de assujeitamento, mas as relações nascidas concomitante com as subjetividades que são diferentes, múltiplas, entretanto subsiste um quê de humanidade nelas. Essas relações estão sendo geometricamente sufocadas pela incivilidade contemporânea.

Nesse bojo, sem que déssemos conta a sociedade ficou prenhe do monstro sagrado e indomável — a violência — que não está aqui nem ali nem em cima nem embaixo. Parafraseando nosso Foucault (1981) em relação ao poder — a violência está em todo lugar, não pertence a uma classe, a violência circula.

E na sociedade que pariu o materialismo globalizado e o Estado Penal (Wacquant, 2001), a violência tem o poder de estar na escola como também nos hospitais; nas igrejas e nos hospícios; nas favelas e nos condomínios de luxo; nos bancos e nas praças; no posto policial e no terreno baldio; matando um e matando 14; exterminando uma família ou um membro dela.

A violência mata e a violência ensina matar as vidas; A violência simbólica se apodera das consciências que inertes não conseguem clamar pelo direito de não serem mortos.

A violência é tão mal-dita, maldita, sub-reptícia, disruptiva, cautelosa, surpreendente que chega a conformar uma “igualdade” no seu raio de ação — não faz questão de escolher quem mata. Mata. Exclui da vida. A violência é mister saber que não é algo abstrato, é fruto da ação do homem, do homem que tem à sua disposição muitas maneiras de salvar vidas quase em óbito pelos recursos da medicina, como paradoxalmente dispõe de recursos sofisticados ou não de matar mesmo quem nunca sentiu um sintoma mais grave em seu organismo. Assim, a violência desafia a luta pela vida.

Penso, por outro lado, mesmo que as lágrimas não deixem bem o intelecto, que o massacre do Realengo e outras tantas cenas de violências cotidianas no Brasil, falo do lugar em que estou, não pode passar como um senão. Uma tragédia.

O Estado Neoliberal e suas políticas excludentes capazes de produzirem aquilo que Bourdieu (1993) chamou de sofrimento social que vai além da exclusão porque transforma os sujeitos sociais em espectros diante da força do capital e da trajetória cada vez mais insistentes desses sujeitos para a marginalização, para o submundo e para a sub-humanidade. É o Estado Neoliberal abrindo as portas para os grupos sociais do Estado Penal (Wacquant, 2001), cujo dispositivo é a “tolerância zero”, ou seja, a completa marginalidade ressignificada.

Por isso, os excluídos pelos perversos filhos do Estado Neoliberal — não tem escolas, hospitais, igrejas, hospícios, favelas, ruas ou quaisquer lugares seguros. As portas estão abertas. Ali as políticas públicas entram para sanar por alguns momentos o estômago, as primeiras letras, os primeiros-socorros.

Foi numa escola ensinando as primeiras letras que o Brasil escreveu ontem — aqui morreram e sofreram inocentes, suas famílias e comunidade, vítimas de uma enigma(2).

Nós choramos esses meninos e meninas no mais profundo da alma, E por um momento, vimos, face a face, o retrato do Brasil.

Descansem em paz, crianças. Sonhem sempre....

Sonhos da menina
(Cecília Meireles)

A flor com que a menina sonha
está no sonho?
ou na fronha?

Sonho
risonho:

O vento sozinho
no seu carrinho.

De que tamanho
seria o rebanho?

A vizinha
apanha
a sombrinha
de teia de aranha . . .

Na lua há um ninho
de passarinho.

A lua com que a menina sonha
é o linho do sonho
ou a lua da fronha?

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(1) Expressão do antropólogo Balandier (1999) que significa a grande tela. Para nós, a grande expressão midiática.

(2) Refiro-me ao assassino como enigma porque após cometer o suicídio, não conheço, depois de fazer 2 anos de Escola de Psicanálise, um recurso idêntico a necropsia física correspondente talvez à psiconecropsia, algo ainda não inventado. Daqui para frente, só especulações. Ele morreu e levou seu segredo e as vidas dos estudantes.

Download do texto em PDF AQUI

Aufklärung e a Crítica kantiana no pensamento de Foucault

Aufklärung e a Crítica kantiana no pensamento de Foucault

Giovana Carmo Temple
(Pesquisadora da Fapesp. Doutoranda em Filosofia pelo Programa de Pós-Graduação da UFSCar, sob orientação da Profa. Dra. Thelma Lessa Fonseca)

Resumo: O objetivo deste texto é desenvolver a articulação que Foucault faz entre o diagnóstico do presente e a construção de um pensamento crítico acerca do conceito de autonomia a partir do texto de Kant Beantwortung der Frage: Was ist Aufklärung? (1783). Trata-se, portanto, da aproximação de Foucault à herança histórica da Aufklärung analisada por Kant, a partir de uma perspectiva ética para pensar a modernidade. Para tanto, trataremos neste artigo (1) de como Kant descreve o processo da Aufklärung, (2) da relação deste texto de Kant com sua Crítica e, por fim, (3) os desdobramentos destas análises naquilo que Foucault entende ser uma “atitude crítica” da modernidade.

Palavras-chave: Foucault – Kant – modernidade.

Download do texto na íntegra AQUI

UM ANO COM MICHEL! UM ANO COM FOUCAULT!

“Se escolhi o anonimato, não é para criticar isso ou aquilo, o que nunca faço. É um
jeito de dirigir-me mais diretamente ao eventual leitor, o único personagem que me
interessa: "já que não sabes quem sou, não sentirás a tentação de buscar os motivos pelos
quais digo o que lês; deixa-te andar, diz simplesmente: é verdadeiro, é falso, gosto, não
gosto. Isto basta". (FOUCAULT, 1980)

Hoje amanheceu uma sexta-feira ensolarada, porém triste. Na véspera, o Brasil viveu um dos seus piores dias, o dia que não pude suportar — Realengo (RJ) morreu. Sim, se 12 crianças foram brutalmente assassinadas por um jovem ex-aluno daquela escola onde aconteceu a tragédia. Eu creio que aquele lugar e seus moradores, suas vidas, alegrias, segredos, dificuldades, cotidianos estão mortos. Sim, haverá uma reconstrução dia após dia, mas será como vaso que ao ser remendado faltará o pedaço final para voltar a ser completo. As crianças mortas e todas as crianças e a comunidade de Realengo e ao Brasil, minha alma à disposição!

Falo isto porque hoje, 08 de abril de 2011, o CICLO DE ESTUDOS FOUCAULTIANOS faz um ano que nasceu entre as pedras de tropeço e a alegria dos jovens mestres e mestrandos ansiosos para esquadrinhar esse pensador francês de natureza polêmica, carismático, complexo, simples ao dizer — “deixa-te andar, diz simplesmente: é verdadeiro, é falso, gosto, não gosto. Isto basta". (FOUCAULT, 1980), avesso à visibilidade pública, capaz de lotar um ginásio com suas aulas, um gênio ou talvez, somente um homem a deslindar...

Naquele dia amanheci ansiosa, com duas bolsas, levando nelas vídeos, depoimentos, Bauman, Deborah Colker, algumas ideias para organizar o grupo — organizar o calendário, os SEMINÁRIOS DE ESTUDOS AVANÇADOS, enfim, “minha primeira vez com Foucault”... como seria?

Logo cedo, antes de sair, fui pega por um imprevisto que em nada atrapalharia minha ida para o Campus, se não fosse a existência de algumas “coisas ditas” por alguém muito nervoso, mas jamais por um Bourdieu... um pequeno incidente que logo foi contornado, porque naquele dia nada mais importante que meu encontro com Michel e meus colegas na sala de aula...

Desse dia em diante fomos nos fortalecendo devagarinho em nós mesmos e entre nós. Éramos um número maior, Pouco saíram, talvez não suportaram o anonimato foucaultiano ou não possuíssem a virtù[1] grega... nada de vereditos... Paz e Bem aos ex-foucaultianos!

Meus amigos, companheiros, repletos de virtù, fiz questão dessa passagem de Foucault —Le Philosophe masqué (entrevista de C. Delacampagne), em ‘Le Monde" n. 10945, de 06 de abril de 1980: "Le Monde-Dimanche", pp. I e XVII. Em janeiro de 1980, Christian Delacampagne decidiu pedir a Foucault uma longa entrevista para o suplemento dominical de "Le Monde", dedicado principalmente aos debates culturais.— porque ela traz duas coisas que também interessam a nós: o leitor e sermos quem somos, sem nos preocurparmos com a luta no ringue das vaidades do campo científico. Nosso interesse é estudar, discutir, descobrir, dialogar e levar ao maior número de pessoas aquilo que escavamos e continuamos a fazê-lo até que se esgote o tempo, tempo final. O ponto do final não nos amedronta porque continuamos foucaultianos... ad infinitum.

São Luís (MA), 08 de abril de 2011.

Fátima G.



[1] Virtù ao contrário da Fortuna para os latinos significa o que se tem no interior, o que traz a alma. A Fortuna é a sorte, o que se adquire por acaso.

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Faça o download do texto "O Filósofo Mascarado" (Michel Foucault) AQUI.