quarta-feira, 25 de maio de 2011

Silêncio, sexo e verdade

Silêncio, sexo e verdade
Uma entrevista com Michel Foucault


"Michel Foucault. An Interview with Stephen Riggins", ("Une interview de Michel Foucault par Stephen Riggins) realizada em inglês em Toronto, 22 de jun de 1982. Traduzido a partir de FOUCAULT, Michel. Dits et Écrits. Paris: Gallimard, 1994, Vol. IV, pp. 525-538 por Wanderson Flor do Nascimento.


- A apreciação do silêncio é uma das numerosas coisas que um leitor, sem que se espere, pode aprender de sua obra. Você tem escrito sobre a liberdade que o silêncio permite, sobre suas múltiplas causas e significações. Em seu último livro, por exemplo, você diz que não existe apenas um, mas numerosos silêncios. Seria fundado pensar que há ai um potente elemento autobiográfico?

- Penso que qualquer criança que tenha sido educada em um meio católico justamente antes ou durante a Segunda Guerra Mundial pôde experimentar que existem numerosas maneiras diferentes de falar e também numerosas formas de silêncio. Certos silêncios podem implicar em uma hostilidade virulenta; outros, por outro lado, são indicativos de uma amizade profunda, de uma admiração emocionada, de um amor. Eu lembro muito bem que quando eu encontrei o cineasta Daniel Schmid, vindo me visitar, não sei mais com que propósito, ele e eu descobrimos, ao fim de alguns minutos, que nós não tínhamos verdadeiramente nada a nos dizer. Desta forma, ficamos juntos desde as três horas da tarde até meia noite. Bebemos, fumamos haxixe, jantamos. Eu não creio que tenhamos falado mais do que vinte minutos durante essas dez horas. Este foi o ponto de partida de uma amizade bastante longa. Era, para mim, a primeira vez que uma amizade nascia de uma relação estritamente silenciosa.
É possível que um outro elemento desta apreciação do silêncio tenha a ver com a obrigação de falar. Eu passei minha infância em um meio pequeno-burguês da França provincial, e a obrigação de falar, de conversar com os visitantes era, para mim, ao mesmo tempo algo muito estranho e muito entediante. Eu me lembro de perguntar por que as pessoas sentiam a obrigação de falar. O silêncio pode ser uma forma de relação muito mais interessante.

[Baixe a entrevista completa aqui]

sábado, 21 de maio de 2011

A questão do calendário

Há os que fingem...

"Há os que fingem ignorar a realidade; há os que a desfiguram e nessa desfiguração encontram um universo onde se refugiam; há os que pensam que a melhor forma de resolver os problemas é afastá-los para longe. Há tudo isso, nesse mundo diverso e dicotómico que se desdobra entre a realidade e a ficção."

Excerto de uma crónica de Fernando Paulouro das Neves,
in Jornal do Fundão.

Queridos foucaultianos,
Paz e Bem.
Não sei como surgiu a idéia de moficar o calendário dos SEMINÁRIOS AVANÇADOS DOS ESTUDOS EM FOUCAULT. Mas tudo bem, isso acontece nas melhores famílias de "Orozimbo" a Londres.. rsrsrs. No entanto, não podemos furar a programação porque prejudicaria todo um conjunto de atividades que desenvolvo.
Nesse sentido, a falta do dia 10 não foi antecipada para o dia 24 de maio. O dia do SEMINÁRIO ESTÁ MANTIDO PARA 31 de maio. A compensão virá adiante em julho, quando nesse mês teremos os dias 5 e 12 de julho/11.
Espero contar com a compreensão e generosidade que sei e sempre sinto em vocês.
Um abraço com afeto, um bom final de semana e até dia 31, se Deus permitir.
Fiquem na Paz do Cristo.
Fátima G.

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sábado, 7 de maio de 2011

A crítica para Foucault

(...) pues bien, diría que la crítica es el movimiento por medio del cual el sujeto se arroga el derecho de interrogar a la verdad sobre sus efectos de poder y al poder sobre sus discursos de verdad. En otras palabras, la crítica será el arte de la in-servidumbre voluntaria, el arte de la indocilidad reflexiva. La crítica tendría esencialmente por función la des-sujeción en el juego de lo que pudiéramos llamar la “política de la verdad”.

In: FOUCAULT, Michel. Crítica y Aufklãrung [“Qu’est-ce que la Critique?”]. Revista de Filosofía - Universidad de Los Andes. Mérida, n. 8, p. 5-30, 1995.

Para download do texto na íntegra clique aqui

Claúdio Ulpiano

A experiência transcendental: aula em vídeo de Claúdio Ulpiano (Verão de 1997)

Aula de Claudio Ulpiano - A experiência transcendental from CCLULP on Vimeo.


Aula de 09/06/1994 - O esquizo do pensamento. "Loucura e pensamento são irmãos xifópagos"

Aúdio:


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Post solicitado por Fátima G.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A MULHER APENADA E O DIREITO À EDUCAÇÃO NAS INSTITUIÇÕES PENAIS: entre possibilidades e limites

A MULHER APENADA E O DIREITO À EDUCAÇÃO NAS INSTITUIÇÕES PENAIS: entre possibilidades e limites

Sheila Cristina Rocha Coelho

Iran de Maria Leitão Nunes

RESUMO

O presente trabalho faz parte da pesquisa que investiga o significado reeducativo da pena no Centro de Reeducação e Inclusão Social de Mulheres Apenadas - CRISMA no município de São Luís. Nesse artigo, abordaremos um dos aspectos investigados relativo ao direito à educação escolar da mulher apenada objetivando problematizar os discursos presentes nos dispositivos legais da execução penal, bem como os referentes à educação nas prisões na perspectiva de mostrar como se efetivam no âmbito da instituição as formas de organização das ações que visam a educação das mulheres apenadas do CRISMA. A pesquisa tem metodologia de caráter qualitativo e utilizou entrevistas semi-estruturadas junto à supervisora geral, agente penitenciária e professora da instituição. O estudo privilegiou o exame dos dispositivos (FOUCAULT, 2008b) em âmbito internacional, nacional e estadual que norteia a execução da penal, no que se refere às assistências que são asseguradas a detenta, especificamente à assistência educacional, onde buscamos principalmente desvelar nesses discursos os descompassos e as marcas das desigualdades de gênero no que se refere a execução da pena para as mulheres encarceradas.


Palavras-chave: Educação. Mulheres. Dispositivos


[download do artigo]

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Post solicitado por: Sheila Cristina Rocha Coelho

domingo, 1 de maio de 2011

Del Rigor en la Ciencia - Jorge Luis Borges

Amigos y amigas, comparto con ustedes este video de Jorge Luis Borges que trata del rigor de la ciencia a partir de las disciplinas geográficas, ya que hablamos de espacio.

Livia Fernanda de Paula Grotto, de la Unicamp, (s/d) dije que Suárez Miranda es una invención de Borges. Pero, esa información también se queda disponible en english en la wikipedia. ¿Será una copia? Entiendo que se destaca la ambición de la ciencia de abarcar el todo, sin una actitud critica que pueda cuestionarla.

Abrazos,

Jhonatan
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Del Rigor en la Ciencia
Para o video click aqui

... En aquel imperio, el Arte de la Cartografía logró tal Perfección que el mapa de una sola Provincia ocupaba toda una Ciudad, y el mapa del Imperio, toda una Provincia. Con el tiempo, esos Mapas Desmesurados no satisficieron y los Colegios de Cartógrafos levantaron un Mapa del Imperio, que tenía el tamaño del Imperio y coincidía puntualmente con él. Menos Adictas al Estudio de la Cartografía, las Generaciones Siguientes entendieron que ese dilatado Mapa era Inútil y no sin Impiedad lo entregaron a las Inclemencias del Sol y de los Inviernos. En los desiertos del Oeste perduran despedazadas Ruinas del Mapa, habitadas por Animales y por Mendigos; en todo el País no hay otra reliquia de las Disciplinas Geográficas.

SUÁREZ MIRANDA: Viajes de Varones prudentes, libro cuarto, cap. XIV, Lérida, 1658. In: BORGES, Jorge Luis. Obras completas, vol. II. 12ª ed. Buenos Aires: Emecé. 2002.

. . . In that Empire, the Art of Cartography attained such Perfection that the map of a single Province occupied the entirety of a City, and the map of the Empire, the entirety of a Province. In time, those Unconscionable Maps no longer satisfied, and the Cartographers Guilds struck a Map of the Empire whose size was that of the Empire, and which coincided point for point with it. The following Generations, who were not so fond of the Study of Cartography as their Forebears had been, saw that that vast Map was Useless, and not without some Pitilessness was it, that they delivered it up to the Inclemencies of Sun and Winters. In the Deserts of the West, still today, there are Tattered Ruins of that Map, inhabited by Animals and Beggars; in all the Land there is no other Relic of the Disciplines of Geography.

Suarez Miranda,Viajes de varones prudentes, Libro IV,Cap. XLV, Lerida, 1658 In: BORGES, Jorge Luis. Collected Fictions, Translated by Andrew Hurley Copyright Penguin 1999.