quinta-feira, 30 de junho de 2011

Estamira e a minha saudade...

Estamira e a minha saudade...

Fátima G

Estamira foi a nossa companhia neste semestre. Nossa cara-metade, a face que não admitimos ter. Escondendo-nos por entre nossas frases pensadas, nossos argumentos que buscamos nos cânones, nas roupas que teimamos ser estantardizadas, nas comidas sushizianas que mal conhecemos.

Estamira, nosso alter ego?

Não tomem isto como um insulto ou coisa que o valha. Quero dizer - viu como somos cheios de explicações e senões, medos? - que ela nos representa onde não podemos aparecer, onde a sociedade impôs o limite da regra, interdição e exclusão.

Estamira é a mulher, o homem que não é o hermafrodita biológico, mas a contrução social , a fabricação de uma lucidez inestimável, porém e lamentavelmente, indesejável.

Fica, Estamira, o lixo que catas, incomoda os "normais". Mas cata, cata, ali no meio dele, descobrirás, o zelo dos "normais" em uma linda lata inglesa com cheiro de lavanda, prenhe de estigmas.

Vai, calmamente, Estamira, esvazia a lata, perfuma o lixo com a Lavanda Inglesa - como ficarão excitados os plebeus ingleses, tomando chá às 5! _ delicamente põe na lata vazia todo teu discurso, fecha, coloca em lugar bem escondido e ali deixa teus segredos.

Os ingleses apenas tomarão chá. Os "normais" apenas se preocuparam em "apiedar" dos catadores não só anônimos de lixos, mas Estamira, de pessoas como tu crias tantos sonhos. Ah, puderámos te ver junto a Riobaldo a Diadorim! Ao lado das letras de Manuel de Barros.

Fica em ti mesma!

Saudades! Aparece!


Conferência de Manuel Castells - Fondation Maison des Sciences de l'Homme

fmsh on livestream.com. Broadcast Live Free



Áudio: Francês
Sem legendas


Estamira continua entre nós

Gente,

Próxima reunião iremos "fechar" as discussões sobre o filme ESTAMIRA. Segue abaixo o trailler e mais abaixo o link pra fazer o download do filme completo.



Download aqui

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Filmes

Olá gente,

No encontro passado, Katiúscia indicou dois filmes para dialogar com a aula 03 d'Os anormais.

Quem se interessou, segue abaixo links para download.


Baixe: O homem elefante (sem legenda)


Baixe: O homem grávido (dublado)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Agenda

Queridos foucaultianos,
Paz e Bem.
Tenho o prazer de convidá-los para assistir a defesa de dissertação do nosso colega Robson Mendonça, cujo tema será CULTURA POPULAR CIDADANIA E EDUCAÇÃO: a cultura popular como elemento para a construção da cidadania na educação básica, a ser realizada no dia 22 de junho do corrente ano, às 15 h, na SALA MULTIMÍDIA - PGPP/PPGE.
Vamos juntos prestigiar e apoiar o nosso amigo neste dia. Amanhã poderá ser um de nós (rsrsrs) no Mestrado ou Doutorado (Ai!!!!!!!!!!)
Um abraço fraterno,
Fátima G.

***


DIA : 28/06
Exibição do vídeo: O poder psiquiátrico
SEMINÁRIO AVANÇADO SOBRE: O poder psiquiátrico de O Collègge de France



***
Onde mora a compaixão?

a compaixão mora na história de cada um
na humildade
de reconhecer-se humano
com defeitos a corrigir
e qualidades a aperfeiçoar
no amor que é soberano
e dá sem exigir
na indestrutível paz interior
de quem vê o bem
até onde ele se esconde
e entende o mal
como fruto da ignorância

a compaixão mora
na história de cada um

no ato de tolerância
na bondade imparcial
de quem visa o bem comum
a compaixão mora
no coração de todos

- ainda que em potencial

http://videverso-helen.blogspot.com/2011/06/onde-mora-compaixao.html

Psiquiatria, Foucault, O poder psiquiátrico, Conferências


Posto solicitado por: Luciene Galvão

Razão de Estado

michel-foucault.com (http://www.michel-foucault.com/)

Fátima G. (Tradução livre)


Este site é riquíssimo em trechos extraídos dos trabalhos e entrevistas de Foucault. Um site em inglês, impossibilibilando muitas vezes seu acesso. Mas não seja por isso. À medida do possível vamos inserir alguns dos seus conteúdos com tradução livre em nosso blog. Uma trilha a mais em direção ao nosso filósofo.


"Entrevista com Michel Foucault". Em J. Faubion (ed.). Tr. Robert Hurley e outros. O poder de obras essenciais de Michel Foucault 1954-1984. Volume Três. New York: New Press, pp 317, 325.

"Juntos com a guerra [a pena de morte] foi por muito tempo a outra forma de o direito da espada, que constituiu a resposta do soberano para aqueles que atacaram a sua vontade, a sua lei, ou sua pessoa ... Assim que deu o poder em si a função de administrar a vida, sua razão de ser ea lógica de seu exercício - e não o despertar de sentimentos humanitários - tornou mais difícil de aplicar a pena de morte. Como poderia o poder exercer as suas prerrogativas mais alto, colocando pessoas à morte, quando seu papel principal era o de garantir, sustentar e multiplicar a vida, para colocar a vida em ordem? Para tal poder, a execução foi, ao mesmo tempo um limite, um escândalo, e uma contradição. Daí a pena capital não poderia ser mantida, exceto invocando menos enormidade do crime em si do que a monstruosidade do criminoso, sua incorrigibilidade, ea salvaguarda da sociedade. Um tinha o direito de matar aqueles que representou uma espécie de perigo biológico para os outros. "

"Eu não escrevo um livro para que ele irá ser a palavra final, eu escrever um livro para que outros livros são possíveis, não necessariamente escrito por mim".

Michel Foucault (1994) [1971] "Entretien avec Michel Foucault". Em Ditos e Escritos vol II. Paris: Gallimard, pp 157-74. (Esta passagem trans. Clare O'Farrell).

Tradução do inglês para português

Citação para maio de 2011


Razão de Estado não é uma arte de governo de acordo com as leis divinas, naturais ou humanos. Não tem de respeitar a ordem geral do mundo. É um governo de acordo com a força do Estado. É um governo cujo objetivo é aumentar essa força dentro de um quadro extensivo e competitivo ...

Racionalidade política cresceu e se impôs ao longo da história das sociedades ocidentais. Ele primeiro se pronunciou sobre a idéia de poder pastoral, em seguida, o da razão de Estado. Seus efeitos inevitáveis ​​são individualização e totalização. Libertação só pode vir de atacar não apenas um destes dois efeitos, mas a racionalidade política é muito raízes.

Michel Foucault. (2000) [1980]. "Entrevista com Michel Foucault". Em J. Faubion (ed.). Tr. Robert Hurley e outros. O poder de obras essenciais de Michel Foucault 1954-1984. Volume Three. New York: New Press, pp 317, 325.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

FOUCAULT: o filosófo do Outro - 50 anos de História da Loucura (Histoire de la Folie à l’Àge Classique, 1951).



O CICLO DE ESTUDOS FOUCAULTIANOS [CEF] busca movimentar-se com Foucault, onde o passado é presente, porque todo autor clássico faz do seu passado um momento presente para aqueles que o seguem, sem ortodoxia, porém, como um sensor dos sensores de seus pensamentos.

Para nós, Foucault é vida intelectual, direção nas trajetórias intelectuais que queremos traçar. Hoje estamos debruçados no estudos de Os Anormais (2002), sem deixar de lado seus outros trabalhos e movimentos que percorreu ao longo de sua vida acadêmica de pesquisador — pesquisador de buscar o Outro, aquele que fugia completamente ao interesse dos pesquisadores mais próximos de si mesmos.

Foi isso que o fez se deliciar com Jorge Luiz Borges, escritor argentino, citando-o em As Palavras e as Coisas (1996) pelo fato do escritor ter contado a história de imperador chinês que fez uma taxionomia que subverteu, segundo ele, o nosso tempo e a nossa geografia.

Este ano de 2011, faz meio século da História da Loucura. Não considero só uma obra, muito mais, uma clivagem com discurso médico-psiquiátrico, um modo disruptivo de mostrar metodologicamente formas de tratar os loucos e a sensibilidade do verdadeiro homo afetivus ao afirmar — “o homo psychologicus é um descendente de mente captus.” (FOUCAULT, História da Loucura, 2007, p. 522).

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Michel Foucault, ao escrever Historie de la Folie à l'Âge Classique, via na Nau dos Loucos um símbolo da consciência viva do pecado e do mal na mentalidade medieval e nas paisagens imaginativas da Renascença.

A Nau dos Loucos é uma antiga alegoria muito usada na cultura ocidental em literatura e pinturas. Imbuída de um senso de autocrítica, ela descreve o mundo e seus habitantes humanos como uma nau cujos passageiros perturbados nem sabem nem se importam para onde estão indo. Em composições literárias e artísticas dos séculos XV e XVI, o motivo cultural da nau dos insensatos era uma paródia da arca de salvação (como a Igreja Católica era classificada).




A Nau dos Loucos

A melhor forma de prestarmos uma gratidão inexorável a Foucault é divulgando trabalhos estes trazendo um autor que deixou de lado todo o narcisismo dos intelectuais voltados às suas próprias produções, para nos deixar uma lição sem exclusão nem interdição — o sujeito que morre dá lugar ao sujeito que se autoconstitui.

Foucault, um homem.







Ora Até que Enfim Ora até que enfim..., perfeitamente...
Cá está ela!
Tenho a loucura exatamente na cabeça.
Meu coração estourou como uma bomba de pataco,
E a minha cabeça teve o sobressalto pela espinha acima...

Graças a Deus que estou doido!
Que tudo quanto dei me voltou em lixo,
E, como cuspo atirado ao vento,
Me dispersou pela cara livre!
Que tudo quanto fui se me atou aos pés,
Como a sarapilheira para embrulhar coisa nenhuma!
Que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta
E me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!

Graças a Deus, porque, como na bebedeira,
Isto é uma solução.
Arre, encontrei uma solução, e foi preciso o estômago!
Encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!

Poesia transcendental, já a fiz também!
Grandes raptos líricos, também já por cá passaram!
A organização de poemas relativos à vastidão de cada assunto resolvido em vários —
Também não é novidade.
Tenho vontade de vomitar, e de me vomitar a mim...
Tenho uma náusea que, se pudesse comer o universo para o despejar na pia, comia-o.
Com esforço, mas era para bom fim.
Ao menos era para um fim.
E assim como sou não tenho nem fim nem vida...

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

Demasiada Loucura é o Mais Divino Juízo Demasiada Loucura é o mais divino Juízo -
Para um Olhar criterioso -
Demasiado Juízo - a mais severa Loucura -
É a Maioria que
Nisto, como em Tudo, prevalece -
Consente - e és são -
Objecta - és perigoso de imediato -
E acorrentado -

Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas"
Tradução de Nuno Júdice

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Post solicitado por: Fátima G.