sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Apresentação | II Colóquio Nacional Michel Foucault: o governo da infância

Apresentação | II Colóquio Nacional Michel Foucault: o governo da infância

Apresentação

No ano de 2008, entre os dias 03 e 05 de setembro foi realizado o I Colóquio Michel Foucault: Educação, Filosofia, História - Transversais, com o propósito de estabelecer discussões de diferentes transversalidades a partir do pensamento de Foucault, entre as áreas da Educação, da Filosofia e da História.

Ao mesmo tempo, a realização do
I Colóquio pretendeu abrir um espaço propício para fomentar o debate instaurado em torno de problematizações e temáticas que podem ser suscitadas ou alimentadas pelo vasto legado deixado por Michel Foucault, o que se desdobra na realização desta segunda edição. Além dos Programas de Pós-Graduação em Educação, em História e em Filosofia, envolvidos na primeira, agora também se juntam neste esforço coletivo o Programa de Ciências Sociais e o de Psicologia.

De modo que, neste II Colóquio, a proposta é refletir sobre a infância e diferentes modos de concebê-la em nossa sociedade. Busca-se por em foco saberes e práticas sobre a infância, indagando-a como algo que se inventa, como uma construção histórica em suas múltiplas formas.

A infância, entendida como uma invenção moderna, ocupa espaços sociais – da mídia, da medicina, da psicopedagogia, do consumo, da pedagogia, da psicologia, da literatura, entre vários outros –, de modo que sua existência é atravessada por processos de acumulação de saberes sobre o corpo, o desenvolvimento, as capacidades, as vontades, as tendências, as brincadeiras, as fragilidades, as vulnerabilidades, os instintos, as paixões e potências infantis que, por sua vez, se acoplam a práticas discursivas e não discursivas em que tais saberes se imbricam em mecanismos de poder, cujo resultado acaba sendo a produção de uma infância governada, segundo normatividades da sociedade que se empreende.

Nessa perspectiva a infância deve ser conduzida, segundo modelos estabelecidos científica e institucionalmente, consubstanciando uma concepção que é parametrada e, ao mesmo tempo, também é parâmetro de políticas educativas, políticas de conhecimentos, legislações, estruturas e funcionamentos de escolas para crianças e de toda uma rede de instituições que as acolhem, fabricando-se, assim, uma infância pautada na continuidade cronológica, no tempo como sucessão e sequência de etapas do desenvolvimento.

Pensar a infância, problematizando-a como uma invenção, permite perceber sua construção histórica como categoria das ciências do homem e a forma como ela é engendrada no contexto social moderno. Neste sentido, pensar com Foucault possibilita ver, desde essa perspectiva administrativa, o que se está fazendo da infância e com a infância em nosso tempo presente.

Não obstante, Foucault não ter desenvolvido uma teoria da infância, uma formulação conceitual sistemática do tema, há em sua obra chaves de compreensão com as quais se pode descortinar modos diferentes de se pensar as formas dessa administração infantil, fornecendo pistas para concebê-la como produção histórica, construção cultural e, portanto, desvinculada de definições estáticas, naturalizantes e essencialistas.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A diversidade e invenção do sujeito: a produção de subjetividades em práticas sociais contemporâneas




Estão abertas as inscrições do XI Encontro Humanístico http://goo.gl/Y0EQono
Estarei ministrando (em parceria com Luciene Galvão) o minicurso "A diversidade e invenção do sujeito: a produção de subjetividades em práticas sociais contemporâneas".
INSCREVAM-SE!!!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Descuido - a morte de Estamira

Descuido.

Desde o momento em soube da morte física de Estamira, uma de suas falas não me sai da cabeça. Uma das passagens mais tocantes, para mim, é quando ela fala que o lixão de onde, juntamente com milhares de brasileiros, retira o necessário para sobreviver “é um depósito dos restos. Às vezes é só resto, e às vezes, vem também descuido. Resto e descuido. Quem revelou o homem como único condicional, ensinou ele conservar as coisas, e conservar as coisas é proteger...” Lamentavelmente não aprendemos a lição. Lamentavelmente não cuidamos, não protegemos. A morte de Estamira, e de tantos outros brasileiros, nos mostra que não só nos lixões está o resultado do descuido e da não proteção. Infelizmente os hospitais públicos são uns dos maiores símbolos do descuido com o outro. Estamira morreu por não darem atenção ao que ela falou. Não deram importância quando ela pediu para cuidarmos, para protegermos.

Para finalizar esta tímida reflexão, deixo um trecho do conto “O Alienista”, do nosso maravilhoso Machado de Assis. Cito uma explicação do médico Simão Bacamarte quando ele envia para a câmara de Itaguaí um ofício informando sobre a sua atitude de por nas ruas todos os loucos (quatro quintos da população) recolhidos à Casa Verde: “esta deslocação de população levara-o a examinar os fundamentos da sua teoria das moléstias cerebrais, teoria que excluía do domínio da razão todos os casos em que o equilíbrio das faculdades não fosse perfeito e absoluto; que desse exame e do fato estatístico resultara para ele a convicção de que a verdadeira doutrina não era aquela, mas a oposta, e portanto que se devia admitir como normal e exemplar o desequilíbrio das faculdades, e como hipóteses patológicas todos os casos em que aquele equilíbrio fosse ininterrupto; ...”(ASSIS, Machado. Papéis avulsos. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2011). Fico imaginando como seria um diálogo entre Estamira e Simão Bacamarte. Com certeza abalaria as nossas verdades mais profundas.
José Wellington.

Estamira: uma homenagem


"Ninguém pode viver sem Estamira. E eu me sinto orgulho e tristeza por isso. Porque eles, os astros Negativos ofensivos, sujam os espaço e quer-me. Quer-me, e suja tudo. A criação toda é abstrata. Os espaço inteiro é abstrato. A água é abstrato. O fogo é abstrato. Tudo é abstrato. Estamira também é abstrato. "

E assim falou Estamira, e assim ainda nos falará ...mesmo no" invisível" sua fala permanecerá visível sempre...

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Produção: Carolline Botelho e Fernando Maffra