quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A parrhésia em Michel Foucault: um enunciado político e ético


"O livro de Sally Wellausen espeita os contornos desta singular radicalidade empírica que orienta o trabalho de Foucault. Ela nos mostra que não se trata de passar do saber e do poder ao sujeito do saber e ao sujeito do poder. Com efeito, a presença constante do tema do sujeito é solidária de uma profunda modificação no modo de visar a subjetividade. Primeiramente, não se trata nem de substancialidade metafísica nem de estrutura lógica ou transcendental, mas de um movimento de formação que somente se torna visível quando abandonamos o preconceito de uma realidade definida como origem constituinte do ato subjetivo. Seria preciso, se tal coisa fosse possível, evitar toda definição, que para o nosso pensamento habitual constitui sempre o pressuposto da identidade. Teríamos de nos conformar a uma nova maneira de pensar: o sujeito é ato, os sujeitos são seus atos, movimentos que se formam historicamente e que não se consolidam porque suas modalidades variam e se transformam antes que se cristalizem. Neste sentido, não se deveria perguntar pelo ser do sujeito ou mesmo onde ele se localiza, porque ele não é, nem está em qualquer lugar, ele passa ao longo das formações históricas."