sexta-feira, 30 de março de 2012

Vou ler para questionar...


PETERS, Michel A.. BESLEY, Tina.
Por que Foucault? Artemed, 2008.

P

or que Foucault? Oferece uma análise de novas diretrizes na pesquisa educacional, enfatizando a utilização, aplicação e desenvolvimento da obra de Michel Foucault. Os capítulos deste livro vão além do nível introdutório e expositivo, explorando novos temas e aplicações à teoria, ao programa de ação, à prática e à política educacionais. O livro apresenta uma perspectiva internacional, destacando os mais recentes trabalhos realizados na área da educação sobre a obra de Foucault e a perspectiva de destacados pesquisadores internacionais, todos com extenso número de publicações sobre a obra do filósofo francês.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O corpo e a curva

O Corpo e a curva

Maria de Fátima da Costa Gonçalves

“O corpo só se torna força útil se é ao mesmo tempo corpo produtivo e corpo submisso” (FOUCAULT, 1997, p. 28).

A foto de Sebastião Salgado acima me fez refletir sobre os efeitos disciplinadores das regras sociais e econômicas sobre o corpo humano. Nesse sentido, quanto maior a opressão econômica e o controle social, mais o corpo tende a se retrair, a se encolher, como se num ato inconsciente já desse os primeiros sinais de finalização de sua vida. Uma espécie de morte antecipada.

Antropólogos americanos (ROSALVO, 1997) chamam de emboriment [sem tradução literal, aproximando-se de “encorporação” com “e” mesmo, no sentido de adotar a atitude no próprio corpo], ou seja, transferir para o corpo o peso das regras e do disciplinamento que requer o controle social dos indivíduos pela sociedade para controlar seus discursos, seus atos e, sobremodo, a construção de suas subjetividades.

Isto é

Os processos de subjetivação dos seres humanos – pelo emprego de relações de poder sobre o corpo – só podem ser entendidos como mecanismos sociais partindo do princípio de que tal corpo apresenta aspectos, formas de percepção e inserção constantes para o exercício de relações de poder. Dito de outra maneira, o corpo do ser humano (ou, melhor dizendo, uma concepção de corpo) deve apresentar maneiras e estruturas mais ou menos constantes e uniformes. (MENDES, 2006, p. 169).

O disciplinamento do corpo produz o assujeitamento dos indivíduos a ponto de obstruir suas possibilidades de subjetividades latentes. E por que o corpo? Foucault não foi o primeiro a entender a relação do corpo com as atitudes, regras e controle social. Mauss (1980), antropólogo do século XIX, já trabalhava brilhantemente com as “técnicas corporais”, isto, claro, numa outra perspectiva.

O corpo é um espaço, é o lugar de expressão das subjetividades do indivíduo, o locus de sua existência materializada.

Assim, funciona como um dos instrumentos mais eficazes na produção do assujeitamento do indivíduo através dos diversos discursos e dispositivos que, ao final e ao cabo, atuam sobre o corpo através de técnicas e tecnologias, constituindo o chamdo “governo do corpo”. (MENDES, 2006).

Se a exploração econômica separa a força e o produto do trabalho, digamos que a coerção disciplinar estabelece no corpo o elo coercitivo entre uma aptidão aumentada e uma dominação acentuada” (FOUCAULT, 1997, p. 127).

O corpo e o sujeito estão controlados pelo poder disciplinar. Curvam-se às técnicas, aos dispositivos (da sexualidade, pedagógicos, religiosos, etc.), E com isto, na biopolítica, com o gerenciamento e disciplinamentos dos sujeitos, o corpo fala. É a denúncia das formas de gerir o homem.


PEQUENA CARTA DE RETORNO A ÓIKOS


“Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para continuar a olhar ou a refletir”. (FOUCAULT, 2008).

Meus queridos foucaultianos,

Paz & Bem.

Se o meu discurso for um texto não tangível será necessariamente porque a subjetividade que há em mim transcendeu toda a liturgia acadêmica, dispensável agora.

Foram sete meses de inteiro distanciamento. Se assim foi porque se fez necessário sem mais delongas. Dor mesmo foi da saudade que quis transformar as lembranças em matéria física. Isso tantas vezes pretendi evocar Einstein, porém falhou!

Mas, graças a Deus, Senhor de todas as coisas, estou voltando. Digo voltando porque é um processo em construção e só o faço porque sei para onde estou indo — para o aconchego da companhia dos foucaultianos que quebram as lanças e rasgam os véus da vida rígida da academia.

Como optamos por burlar e sermos inconfidentes no sentido de problematizar foucaultianamente, me sinto uma filha pródiga voltando a óikos para que todos estejamos em breve na ágora.

Queridos, as palavras em profusão cansam, porque o que o coração quer na verdade é um grande e longo abraço. E exatamente isto que deixo a cada no meu retorno de corpo & alma transcendente como um beija-flor que acabou de ser solto de uma gaiola.

Com amor fraterno,

Fátima G.

quinta-feira, 15 de março de 2012

CEF GRAJAÚ 2012

Olá gente,

Imagino que todos já estejam com saudades dos nossos encontros. Em Abril estaremos voltando com algumas boas novidades. Data prevista para volta é 05 de Abril (quinta-feira) às 14:30h com o retorno de nossa coordenadora Fátima G. É tempo de revisitar nossos rabiscos para os artigos de férias e também para começar a divulgação do CEF no meio acadêmico para que novos membros possam participar das atividades do CEF em 2012.

O CEF GRAJAÚ iniciou suas atividades semestral com os graduandos do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas. Esse semestre se inscreveram, inicialmente, 20 estudantes. Teremos como planejamento a pesquisa nos estudos foucaultianos, relacionando-os aos objetos de estudo dos membros.

Dou as boas vindas para: Áurea, Gerbson, Cleiane, Kriss, Mauridete, Almerinda, Vanessa, Ana Marlene, Lister, Luciane, Danielle, Roberto, Welitânia, Raoní, Márcia, Leandro. Espero que todos assumam esse desafio de pesquisar a partir de Michel Foucault com afinco.