terça-feira, 17 de abril de 2012

Vou ler para questionar...


"Tanto quanto algas mutantes e monstruosas invadem as águas de Veneza, as telas de televisão estão saturadas de uma população de imagens e de enunciados 'degenerados'. Uma outra espécie de alga, desta vez relativa a ecologia social, consiste nessa liberdade de proliferação que é consentida a homens como Donald Trump que se apodera de bairros inteiros de Nova York, de Atlantic City etc., para 'renová-los', aumentar os aluguéis e, ao mesmo tempo, rechaçar dezenas de milhares de famílias pobres, cuja maior parte é condenada a se tornar homeless, o equivalente dos peixes mortos da ecologia ambiental" (Félix Guattari, p. 25-26, 1990)

GUATTARI, Félix. As três ecologias. Campinas: Papirus, 1990.
O autor registra nessa obra três ecologias - a do meio ambiente, a das relações sociais e a da subjetividade humana, manifestando sua indignação perante um mundo que se deteriora lentamente. Propõe também fórmulas para reinventar maneiras de ser no interior do casal, da família, do trabalho e da cidade.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O eterno retorno de Foucault




Data: 12/04/2012 (quinta-feira) - AMANHÃ
Horário: 14:30h
Local: Sala 04 do PPGE

Debate: Aula de 19 de Fevereiro de 1975 de "Os anormais"


"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: 'Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!'. Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: 'Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!' Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: 'Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?' pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?" (F. Nietzsche, A Gaia Ciência, 1882)