quarta-feira, 29 de agosto de 2012

2012.2 - CRONOGRAMA

2012.2 - CRONOGRAMA (em construção)

Reuniões sempre às quinta-feiras às 08:30h na Sala 4 - PPGE/UFMA/São Luís

13/09 - Capítulo 1 da Parte III de Vigiar e Punir. Responsável:  Fátima G.
27/09 - Capítulo 2 da Parte III de Vigiar e Punir. Responsável:  Maria José Santos
11/10 - Capítulo 3 da Parte III de Vigiar e Punir. Responsável:  Ramon Alcântara

25/10 - Aulas 1 e 2 de Segurança, Território, População: Responsável: a definir
08/11- Aula 3 de Segurança, Território, População: Responsável: a definir
22/11 - Aula 4 de Segurança, Território, População: Responsável: a definir
06/12 - Aula 5 de Segurança, Território, População: Responsável: a definir

***

De que são feitos os dias? 
- De pequenos desejos, 
vagarosas saudades, 
silenciosas lembranças. 

Entre mágoas sombrias, 
momentâneos lampejos: 
vagas felicidades, 
inatuais esperanças. 

De loucuras, de crimes, 
de pecados, de glórias 
- do medo que encadeia 
todas essas mudanças. 

Dentro deles vivemos, 
dentro deles choramos, 
em duros desenlaces 
e em sinistras alianças...

De que são feitos os dias, Canções, Cecília Meireles

2012.2 - EIXOS NORTEADORES DAS SESSÕES DE ESTUDOS AVANÇADOS



EIXOS NORTEADORES DAS SESSÕES DE ESTUDOS AVANÇADOS



  • As SESSÕES DE ESTUDO estarão centradas nas aulas ministradas por Foucault no Collège de France (1977-1978) quando os eixos das suas pesquisas irão girar em torno da RELAÇÃO ENTRE A TEMÁTICA DO HOMEM E A EMERGÊNCIA DA POPULAÇÃO. Isto ocorrerá em suas aulas organizadas em “Segurança, Território, População” (2008). Aqui nos interessa os PONTOS SIGNIFICATIVOS DAS FORMAS QUE O ESTADO GERENCIA A POPULAÇÃO E AS FORMAS COMO AS POLÍTICAS DE ESTADO APARENTEMENTE INCLUSIVAS RETORNAM À EXCLUSÃO DOS POBRES, DOS DEGENERADOS, DOS ANORMAIS, EMBORA NÃO SEJA PERCEPTÍVEL A QUEM RECEBE OU MUITAS VEZES A QUEM AVALIA ESSAS POLÍTICAS DE EXCLUSÃO POPULACIONAL INSCRITA PELO ESTADO E DETERMINADA PELA GOVERNAMENTABILIDADE. 
  • RESSIGNIFICAR ESSAS FORMAS DO ESTADO PARA AS PRÁTICAS EXERCIDAS NAS INSTITUIÇÕES ESCOLARES E PELOS SUJEITOS ALUNOS DENTRO/FORA DO ESPAÇO ESCOLAR.




SEGURANÇA, TERRITÓRIO, POPULAÇÃO

Trata-se da transcrição de um curso realizado no Collège de France, entre 1977-1978, quando Michel Foucault estudava uma nova proposição sobre a análise dos mecanismos de poder: o biopoder. Primeiramente, a soberania se inscreve e funciona sobre um território, mas o seu exercício se desenrola no cotidiano e indica uma multiplicidade de sujeitos, sob a imagem de um povo. Neste caso, o Estado deve ser composto por três elementos: os camponeses [fundações do território], os artesãos [partes comuns do território] e a capital [terceira ordem]. A soberania se exerce nos limites de um território, a disciplina sobre o corpo dos indivíduos, por fim, a segurança se exerce sobre o conjunto da população. Mas de que modo pode-se traçar uma história das tecnologias de segurança, até o ponto em que se pode falar de uma ‘sociedade de segurança’? Destaca-se, então, a emergência de ‘tecnologias de segurança’ no interior de mecanismos de controle social [penalidade] e de mecanismos que funcionam para modificar algo no destino das espécies. Esses dispositivos de segurança podem ser caracterizados, em geral, por seus ‘espaços de segurança’, por seu ‘tratamento do aleatório’, por sua forma específica de ‘normalização’. Deste modo, correlacionam-se a técnica de ‘segurança’ e a ‘população’ através de um ‘meio’.


A segurança vai buscar criar um ambiente em função de uma ‘série de acontecimentos possíveis’, que deverá ser regularizada num contexto multivalente e transformável, o que remete ao temporal e ao aleatório, com efeito, ‘espaço da segurança’ que talvez seja o que se chama de meio. Meio é algo necessário para explicar a ação à distância de um corpo sobre o outro, também compreendido apenas como suporte e elemento de circulação de uma ação, porque o problema da circulação e da causalidade está em questão nessa noção de meio. Enfim, tudo isso se revela como se os dispositivos de segurança criassem, organizassem e planejassem um meio: conjunto de dados naturais [rios, morros, pântanos, etc.], ao mesmo tempo conjunto de dados artificiais [aglomerações de indivíduos, de casas, etc.], ou seja, certos efeitos de massa que agem um sobre os outros, ou melhor, sobre todos que aí residem. Enfim, o meio será compreendido como um campo de intervenção em que se vai procurar atingir precisamente uma população, em vez de indivíduos como sujeitos de direitos ou corpos como organismos requeridos pela disciplina. Assim, o que se procura atingir por esse meio é o ponto de uma série de acontecimentos, onde as populações interferem com acontecimentos quase naturais, que se produzem ao redor delas mesmas. A população é, de um lado, a espécie humana e, de outro, o que se chama de público: considerado do ponto de vista das opiniões da população, das suas maneiras de fazer, dos seus comportamentos, hábitos, temores, preconceitos, exigências, o que age por meio da educação, das campanhas, dos ‘convencimentos’. Portanto, percebe-se uma série mecanismos de segurança-população-governo, ou seja, campo que se abre no século XVIII para se chamar de política.



Há três tipos de governos, para Michel Foucault, que pertencem cada um a uma forma de ciência e reflexão particular: o governo de si mesmo, que pertence à moral; a arte de governar, semelhante a ‘uma família como convém’, que pertence à economia; e uma ‘ciência de bem governar’ o Estado, que pertence à política. Se a doutrina do príncipe [teoria jurídica do soberano] procura sempre deixar assinalada a descontinuidade entre o seu poder e qualquer outra forma de poder que se manifeste, como compreender as ‘artes de governar’? Será preciso identificar certa continuidade descendente e ascendente das formas de poder. Percebe-se que a pedagogia do príncipe assegura uma continuidade ascendente das formas de governo, assinala-se toda uma assimilação do Príncipe de Maquiavel nesse contexto, mas identifica-se a polícia, por sua continuidade descendente: quando um Estado é bem governado, os pais acabam por saber governar suas famílias, riquezas, propriedade, assim se destaca uma linha descendente que repercute do Estado até as condutas dos indivíduos ou na gestão das famílias, o que começou a ser chamado, nesta época, propriamente de ‘polícia’. O governo da família tornou-se o elemento central tanto na pedagogia do príncipe quanto na ‘polícia’, ressalta-se a introdução da economia no cerne do exercício político, afinal a palavra economia designa originariamente ‘o sábio governo da casa para o bem comum de toda família’, traços do verbete que reconheceríamos como ‘economia política’. Quesnay definiu a ‘arte de governar’ como a arte de exercer o poder na segundo o modelo da economia. Governo como disposições das coisas, mas governar e ser governado evoluiu com as acepções de ‘economia’, que variaram do século XVI, como uma simples forma de governo, ao século XVIII, como um nível de realidade, campo de intervenções para o governo, através de uma série de processos complexos absolutamente capitais para nossa história.



A ‘governamentalização do Estado’, descoberta no século XVIII, assume um caminho tortuoso, devido as táticas de governo que permitiram definir o que deve e o que não deve estar no âmbito do Estado. Em primeiro lugar, o ‘Estado de Justiça’ nascido numa territorialidade feudal que corresponde a uma sociedade da lei, sob um jogo de compromissos e litígios; o ‘Estado Administrativo’, nascido numa territorialidade fronteiriça, nos séculos XV-XVI, corresponde a uma sociedade de regulamentos e disciplinas; por fim, um ‘Estado de Governo’, que não é só definido por uma territorialidade ocupada, mas por uma massa [da população]. A partir daí, Michel Foucault procurou demonstrar como essa ‘governamentalidade’ nasceu, de três modos: a] de um modelo arcaico, a pastoral cristã; b] adquiriu as suas dimensões que atualmente possuem graças a um instrumento específico, a ‘polícia’; c] de uma técnica diplomático-militar .

FONTE: http://resenhasexcertos.blogspot.com.br/2009/09/seguranca-territorio-populacao-michel.html

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Mensagem para um novo semestre


Foucaultian@s,
Paz e bem!
Um novo semestre, um novo desafio. Foucault sempre é um desafio, faca amolada, cabra que sustenta nossas expectativas de não manter o MESMO e se deslocar em direção ao OUTRO.
Não é nordestino, mas cabe no chão de terra batida, lugar que só os que lutam dia a dia sabem o significado.
As aulas de Foucault, no meu entendimento, eram mais ou menos, resultado da terra seca e rachada igualzinha àquela que se encontra no meio da estrada e que, pela água bendita brotada do trabalho do homem laborioso, rega a terra e esta, produz bons frutos. Pois bem, menin@s famintos do saber, Foucault é um camponês da construção de poços e mais poços da arte de inventariar saberes. Fartemo-nos! E viva em nós, esse cabra que sabia usar a enxada para escavar até encontrar maná para acalmar nossos desesperos acadêmicos. Oxente, ademais, é também agarrar a enxada e cavar a terra.

Boa colheita!

Fátima G.

[VOU LER PARA QUESTIONAR...] - Cartografias de Foucault, Alfredo Veiga-Neto, Alípio de Souza Filho, Durval Muniz de Albuquerque Júnior (Orgs.)




Alfredo Veiga-Neto, Alípio de Souza Filho, Durval Muniz de Albuquerque Júnior (Orgs.)

Este livro destina-se a todos os interessados em pensar e problematizar o nosso presente a partir do legado intelectual de Michel Foucault: professores, pesquisadores e estudiosos, seja dos campos da Educação, da Filosofia, da Sociologia e da Literatura, seja dos campos da Medicina, do Direito, da Política e das Artes.

Reúnem-se, aqui, as questões apresentadas e discutidas durante o IV Colóquio Internacional Michel Foucault, realizado na cidade de Natal, em 2007. 

[ARTE & CIÊNCIA - um sabor & saber] - As meninas, Diego Velásquez





A Família de Filipe IV, mais conhecida como As Meninas, é o nome de do quadro do pintor  pintor espanhol Diego Velásquez (óleo sobre tela, em 1656). A obra está hoje no Museu do Prado.

Michel Foucault tomou esta tela e abre seu trabalho no livro “As palavras e as coisas”. Creio fundamental, tomar isto como um dos pontos a pensar a relação entre a arte e a análise filosófica, no caso de Foucault, que mostrou ser possível extrapolar a barreira do monólogo da ciência com ela mesma. Além de fossilizante, diria, limitado. (Fátima G., 2012).

Disse Foucault, de início:
O pintor olha o rosto ligeiramente virado e a cabeça inclinada para o ombro. Fixa um ponto invisível, mas que nós, espectadores, podemos facilmente determinar, pois que esse ponto somos nós mesmos: nosso corpo, nosso rosto, nossos olhos. O espetáculo que ele observa é, portanto, duas vezes invisível: uma vez que não é representado no espaço do quadro e uma vez que se situa precisamente nesse ponto cego, nesse esconderijo essencial onde nosso olhar se furta a nós mesmos no momento em que olhamos. E, no entanto, como poderíamos deixar de ver essa invisibilidade, que está aí sob nossos olhos, já que ela tem no próprio quadro seu sensível equivalente, sua figura selada? Poder-se-ia, com efeito, adivinhar o que o pintor olha, se fosse possível lançar os olhos sobre a tela a que se aplica; desta, porém, só se distingue a textura, os esteios na horizontal e, na vertical, o oblíquo do cavalete. O alto retângulo monótono que ocupa toda a parte esquerda do quadro real e que figura o verso da tela representada reconstituiu, sob as espécies de uma superfície, a invisibilidade em profundidade daquilo que o artista contempla: este espaço em que nós estamos, que nós somos. Dos olhos do pintor até aquilo que ele olha, está traçada uma linha imperiosa que nós, os que olhamos, não poderíamos evitar: ela atravessa o quadro real e alcança, à frente da sua superfície, o lugar de onde vemos o pintor que nos observa; esse pontilhado nos atinge infalivelmente e nos liga à representação do quadro.